UFAM
• Apresentação •
Sistematização
  da Experiência
   Artigos
   Livros
   Cartilhas
   Dissertações
   Teses
   Diversos
Administrativo
 
Inovar, Empreender e Reciclar
 
Apresentação

No Brasil ainda é comum ver lixões a céu aberto ou lixo serem enterrados sobre lençõis freáticos. Este triste quadro do nosso subdesenvolvimento não tem merecido a atenção necessária por parte do poder público. Com isso, compromete-se, cada vez mais, a já combalida saúde da população, bem como se degradam os recursos naturais, especialmente o solo e os recursos hídricos. Embora o bom senso indique que um racional sistema de saneamento traz qualidade de vida, diminuindo a pressão sobre os gastos em saúde por endemia e sobrando recursos para investimento em saúde preventiva além dos inúmeros benefícios ao meio ambiente, poucas são as ações nesse setor em prol da melhoria da qualidade de vida da população brasileira e garantia de vida futura. Indicadora da gravidade dessa situação é a estimativa do Ministério da Saúde de que as carências dos serviços e ações de saneamento sejam responsáveis, no Brasil, por 65% das internações hospitalares (a diarréia é responsável pela morte de 50.000 crianças ao ano). É a "epidemia surda" da carência de saneamento que pune, num país sem lutas nem guerras, principalmente as populações de baixa renda, marginalizadas no processo econômico.

A participação de catadores na segregação informal do lixo, seja nas ruas ou nos vazadouros e aterros, é o ponto mais agudo e visível da relação do lixo com a questão social. Trata-se do elo perfeito entre o inservível - lixo - e a população marginalizada da sociedade que, no lixo, identifica o objeto a ser trabalhado na condução de sua estratégia de sobrevivência.

Uma outra relação delicada encontra-se na imagem do profissional que atua diretamente nas atividades operacionais do sistema. Embora a relação do profissional como o objeto lixo tenha evoluído nas últimas décadas, o catador ainda convive com o estigma gerado pelo lixo, de exclusão de um convívio harmônico na sociedade. Em outras palavras, a relação social do profissional dessa área se vê abalada pela associação do objeto de suas atividades com o inservível, o que o coloca como elemento marginalizado no convívio social. Uma estratégia para eliminação dessa exclusão é a reciclagem que transforma o inservível em matéria prima.

Infelizmente, a coleta e reciclagem de lixo no Brasil devem mais as sucessivas crises econômicas, que provocaram uma multidão de pessoas socialmente excluídas, do que a consciência ecológica dos brasileiros, também infelizmente, visualiza-se por todo o país rios mortos pela poluição, bueiros entupidos com garrafas de PET e outros entulhos.

 
Tecnologia Social e Incubação de Empreendimentos Solidários