|
Desde a década de 80 vem sendo constatado o enorme potencial existente no meio acadêmico e no âmbito das organizações não-governamentais para a geração de trabalho e renda através da criação de novos negócios em empreendimentos coletivos, basicamente através de organizações associativas e cooperativas. As cooperativas, enquanto entidades de direito próprio acabaram se consolidando como a melhor alternativa para a forma jurídica dessas organizações, na medida que, dispõem de instrumentos análagos às empresas comuns, ao mesmo tempo em que, a lei lhes faculta certas vantagens em termos tributários. A própria situação de crise no emprego vem abrindo espaço para que se aprofundem as ações destinadas a aritcular e integrar esse potencial.
Essas organizações cooperativas encontraram, no entanto, inúmeras dificuldades para sua sobrevivência, haja vista a falta de uma cultura empreendedora, a baixa qualificação gerancial e a dificuldade de acesso a crédito e financiamento. Entretanto, muitas delas lograram sucesso, incentivando outros grupo s de trabalhadores a se organizarem dessa forma. Cabe assinalar que o sucesso desses empreendimentos aconteceu na razão direta da formação de uma capacidade gerancial própria e ao estímulo de entidades públicas e privadas que possibilitaram, com seu apoio, que essas organizações populares pudessem se estruturar para uma inserção competitiva no mercado.
Além disso, entendemos que, para se construir esse processo na região nordestina, deve-se, em primeiro lugar, enfatizar o aspecto da educação cooperativista, tanto no que se refere aos trabalhadores beneficiados quanto junto às lideranças comunitárias mobilizadas. Isto se dá, basicamente, pela falta de tradição associativista de nossa população.
Outro problema a ser encarado de frente por uma organização deste tipo, nordeste, é a questão da cidadania, na medida que, nessa região, tem-se de enfrentar a herança de uma prática escravista e paternalista, inibidora do espírito empreendedor necessário à catalização de ações de base empresarial. Lembramos, também, que o associativismo, em si, é um fator de desenvolvimento. O professor Robert Putmann realizou estudo em vários países buscando estabelecer correlações entre o desenvolvimento dos países e o grau de associativismo neles existentes. Sua conclusão foi de que quanto mais associações existirem, mais desenvolvido é o país.

|