Incubadora Regional de Cooperativas Populares / UFSCAR
• Apresentação •
Sistematização
  da Experiência
   Artigos
   Livros
   Cartilhas
   Dissertações
   Teses
   Diversos
Administrativo
 
Produção de conhecimento simultaneamente a incubação de empreendimentos solidários no Assentamento Rural Pirituba II, Itapeva/SP - Região de Consad
 
Apresentação

As organizações que praticam a economia solidária têm por objetivo enfrentar a crise econômica e do emprego, e resgatar valores e práticas sociais solidárias (Singer & Souza, 2000; Gaiger, 1999).

A literatura sobre o tema aponta a diversidade, as potencialidades, limites e desafios das experiências. Entre as potencialidades destaca-se, principalmente, a geração de recursos econômicos para os sujeitos e suas comunidades; entre os principais limites, destaca-se a dificuldade para garantir a participação ativa dos envolvidos conciliando adequadamente os aspectos econômicos e político-educativos das experiências (Oliveira, 1998). Há duas ordens de dificuldades no funcionamento cotidiano dessas organizações; as econômicas e as de relacionamento interpessoal.

Esta análise aponta para os principais desafios que estão colocados para os empreendimentos solidários: a configuração de um mercado consumidor disposto aos produtos e serviços oferecidos por estes empreendimentos, que precisarão concorrer com os oferecidos por empreendimentos de natureza capitalista (Mance, 1999). Essa concorrência não pode ser enfrentada apenas com baixos preços, considerando os compromissos históricos do cooperativismo, que se fazem representar no universo maior da economia solidária, compromissos estes que se referem a não precarização do trabalho e a oferta de produtos e serviços a preços justos para os envolvidos, de boa qualidade, com preferência para empreendimentos locais ou regionais, etc.

Outro importante desafio relaciona-se à análise e compreensão do funcionamento cotidiano das organizações, onde os problemas estruturais se confundem com os de natureza interpessoal compondo o binômio cooperação-conflito cujo desenrolar tanto pode favorecer como comprometer o futuro das iniciativas. Esta compreensão é fundamental para subsidiar o desenvolvimento de processos de formação que contribuam para fortalecer uma "nova cultura do trabalho" que, segundo Tiriba (2000), tem como marcos fundamentais as relações de produção caracterizadas pela perspectiva de valor de uso e não de troca e pela tendência de diluição da propriedade individual dos meios de produção e das relações hierárquicas baseadas no saber de indivíduos. São componentes importantes desta "nova cultura do trabalho" o cuidado com a preservação do meio ambiente e da saúde humana.

Neste contexto, é importante que as ações desenvolvidas pelas ITCPs se voltem para produção, sistematização e socialização do conhecimento que apontem para a emancipação dos cidadãos. O referencial teórico sobre o tema é, ainda, incipiente merecendo este maior aprofundamento.

 

 
Tecnologia Social e Incubação de Empreendimentos Solidários