Introdução
A partir do reconhecimento da experiência desenvolvida pelas Incubadoras Universitárias Tecnológicas de Cooperativas Populares no acompanhamento e assessoria a grupos populares, tendo em vista a constituição de cooperativas e empreendimentos solidários e autogestionários, foi articulado no âmbito da Rede de Tecnologia Social um edital voltado para a reaplicação da metodologia de incubação de empreendimentos solidários.
A incubação de empreendimentos solidários foi compreendida, então, como uma tecnologia social de organização do trabalho, com grande potencial de articulação à outras tecnologias desenvolvidas no âmbito da RTS. Nesse sentido, a Rede lançou um edital em 2005 para apoio a iniciativas de incubação de cooperativas populares e 21 projetos em diversas regiões do país foram contratados com esse propósito.
No período de maio de 2005 a setembro de 2007, a Fase – Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional realizou ampla pesquisa sobre a atuação da Incubadoras Universitárias de Cooperativas Populares (ITCP´s), apoiadas através do Proninc (Programa Nacional de Incubadoras de Cooperativas Populares). Os resultados desse trabalho podem ser observados no site www.acompanhamentoproninc.org.br .
Dando seguimento a esta experiência anterior, de avaliação do Proninc, a Fase foi convidada a desenvolver um sistema de acompanhamento para os 21 projetos voltados para a reaplicação de empreendimentos solidários. O projeto de acompanhamento atende à perspectiva de construção de espaços que favoreçam o intercâmbio entre as experiências, visto a necessidade de articulação entre as entidades que compõem a rede de tecnologia social; além da promoção de ações voltadas para a visibilidade dos projetos executados e para a sistematização dos resultados alcançados.
A especificidade colocada pela configuração da RTS demanda a criação e fomento de espaços de cooperação entre as iniciativas, especialmente devido aos diferentes formatos institucionais das entidades executoras dos projetos (universidades, associações, cooperativas). Embora a noção de tecnologia social seja permeada pela premissa de seu processo de constituição a partir da perspectiva da ciência e tecnologia enquanto produto de contextos sócio-históricos e de sua re-orientação, a diversidade de formatos e campos de atuação dos projetos executados requer a busca por espaços de diálogo e intercâmbio que permitam influenciar de fato a política de C&T no país.
Os projetos da RTS aprovados no âmbito do edital lançado pela Finep, MDS e Caixa Econômica Federal, articulam enfoques em temas de segurança alimentar, dinâmicas produtivas regionais e cooperativismo popular-urbano e possuem interfaces com um conjunto mais amplo de iniciativas em matéria de políticas inovadoras com ênfase nas noções de território e redes, na perspectiva da sócio-sustentabilidade. Mais particularmente complementa a construção de novos entes do campo das iniciativas de fomento à política nacional de economia solidária, que através das ITCPs tiveram um caráter inovador na busca de uma nova sinergia entre Universidade e a demanda social para a superação das desigualdades e a exclusão social, em particular em matéria de trabalho e renda. |